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Patrimónios em Trânsito: Memória, Terra e Corpo entre Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe
Patrimónios em Trânsito é um projeto artístico e de investigação que se debruça sobre as memórias da migração forçada no contexto colonial português, propondo uma reflexão sensível e crítica sobre as relações entre corpo, terra, memória e identidade. A iniciativa articula antropologia, arte, cerâmica e práticas têxteis, construindo pontes entre Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe, e promovendo um diálogo transnacional e intergeracional sobre heranças históricas, transmissão de saberes e práticas de resistência.
Assente numa abordagem colaborativa, o projeto combina pesquisa etnográfica, criação artística, experimentação material e transmissão de saberes tradicionais, com especial atenção à cerâmica e ao têxtil enquanto práticas ancestrais, técnicas de memória e ferramentas de reconstrução simbólica. A colaboração entre artistas, curadores, mestras oleiras e mestres artesãos permite ativar memórias silenciadas e reinscrever narrativas históricas a partir da experiência sensível da matéria, do gesto e do território.
Em Porto de Mós, a residência artística assumirá um papel central no desenvolvimento do projeto, criando um espaço de encontro entre artistas de diferentes geografias e práticas, em diálogo direto com os saberes locais. A residência decorrerá na Real Factory, durante o mês de setembro de 2026. A primeira semana será dedicada ao conhecimento do território, à aproximação aos seus recursos materiais e humanos e à troca entre artistas, técnicos, artesãos e comunidade local. Este período incluirá visitas aos barreiros, contacto com a componente cerâmica e têxtil de Porto de Mós, momentos de discussão técnica, levantamento de materiais do território e outras atividades consideradas relevantes para o bom desenvolvimento do processo artístico.
A proposta pretende explorar matérias locais a partir de diferentes latitudes, experiências e áreas de aplicação artística, potenciando uma desmultiplicação de técnicas, linguagens e saberes, nomeadamente no cruzamento entre cerâmica e têxtil. A exposição de resultados será apresentada na Central das Artes, com abertura prevista para novembro de 2026, ficando patente até fevereiro de 2027. Parte dos resultados desenvolvidos em Porto de Mós será posteriormente integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe, reforçando a circulação internacional do projeto e a relação entre criação artística, património material e memória histórica. Esta etapa não constitui apenas um desdobramento do projeto, mas uma afirmação do compromisso de Porto de Mós com a valorização do património cerâmico, reforçada pelo facto de o município integrar a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas Cerâmicas (AptCVC). A residência representa, assim, uma aposta concreta na afirmação de Porto de Mós enquanto território de criação, transmissão cultural e dinamização das artes e do artesanato.
PROGRAMA
5 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Olaria tradicional de Cabo Verde
Oficina conduzida pela oleira Laitina, de Cabo Verde, em conjunto com a artista Virgínia Fróis, centrada nas técnicas e saberes da olaria tradicional cabo-verdiana.
6 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
Partilha de experiências em São Tomé, Água Izé, Projeto Mãos de Mulher. Oficina coordenada por Marta Clemente e Eduardo Malé.
Mar Azul, Mar Verde — Proposta de trabalho criativo com barro em torno da ideia das vagens e das sementes em diálogo com as conchas e búzios, ambos habitat de sementes e animais do mar azul e do mar verde.
12 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Oficina de azulejo
Conduzida por Virgínia Fróis, que toma a baunilha como fio condutor para pensar relações de poder, desejo e circulação.
13 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
A história de São Tomé e a viagem das plantas
Conversa com o João Moreira da Silva e a Isabel Castro Henriques (história das plantas), sobre a história de São Tomé lida a partir da circulação das plantas.
19 DE SETEMBRO (SÁBADO) — 15:00
Roda de oleiro
Oficina do oleiro João Coelho, dedicada à técnica da roda, ligada à tradição de Porto de Mós.
20 DE SETEMBRO (DOMINGO) — 15:00
Memórias da cerâmica, conversa com Luísa Machado
Visita Museu de Cerâmica Alcobaça — coleção Maria do Céu e Luís Pereira de Sampaio e ao acervo de cerâmica de Real fábrica do Juncal da Família Pereira de Sampaio.
EQUIPA DO PROJETO
A equipa do projeto é composta por investigadoras, artistas e especialistas que contribuem para a pesquisa, criação artística e execução das atividades previstas. A colaboração interdisciplinar permite uma abordagem abrangente, cruzando antropologia, arte e cerâmica:
Coordenação e Curadoria
Ricardo Barbosa Vicente — Portugal / Cabo Verde
Produção
Raquel Carvalho — Portugal
Artistas
Ânia Pais — Portugal
Eduardo Malé — São Tomé e Príncipe
Mariana Maia Rocha — Portugal
Marta Clemente — Portugal
Virgínia Fróis — Portugal
Mestres artesãos
Isabel Tavares, “Laitina” — Cabo Verde
João Coelho — Portugal
Entradas livres.
Oficinas abertas a 8 participantes!
Inscrições para castelo@municipio-portodemos.pt
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