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Peça do Mês de Julho
Denominação: “Quadro de ponto cruz”
Autora: Maria da Silva Casaca Vieira (mãe da doadora)
Datação: 1911
Material: Têxtil
Medidas (cm): 57x44
Doadora: Maria Alice da Silva Manecas
Nº inventário: 1385
No próximo dia 30 assinala-se o Dia Mundial do Bordado, criado com o propósito de promover esta técnica como forma de expressão artística, unir comunidades a nível global e homenagear a tradição e o trabalho das bordadeiras. Celebrar esta data é também reconhecer todas aquelas que, ao longo do tempo, nos deixaram os seus trabalhos manuais, obras que lhes ocuparam horas de dedicação, entusiasmo e gosto. E, se a celebração desta efeméride é recente (tem 15 anos e origem na Suécia), a arte é muito, muito antiga, transversal a muitas geografias. Na pré-História podemos encontrar o bordado como aspeto funcional, usado para unir as peles de animais com que as pessoas se cobriam e protegiam. Mas a sua evolução em todo o mundo levou a que o bordado fosse considerado uma arte e a que seja também um indicador histórico de referência. Foi usado para contar histórias, para enaltecer nobres, para dar corpo à arte de muitas mulheres, que aqui tinham, por vezes, a sua única forma de expressão.
Em Portugal, nas nossas ilhas, encontramos exemplos notáveis de valorização desta arte. Na Madeira, o IVBAM – Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira promove habitualmente a Semana do Bordado no Funchal, com exposições, homenagens a bordadeiras e demonstrações ao vivo. O calendário de eventos pode ser consultado na página oficial do IVBAM. Nos Açores, o Centro de Artesanato e Design dos Açores (CADA) assinala a data com mostras públicas e workshops de técnicas locais, como o Bordado Matiz, dinamizados em lojas e núcleos de artesanato.
Este quadro de ponto cruz, que elegemos para destacar neste mês de julho, é assim designado por ter sido concebido para ser colocado numa moldura. Apresenta uma composição harmoniosa que íntegro abecedário, números, elementos florais, motivos animais, símbolos, arquitetura e figuras humanas, uma mistura equilibrada que revela criatividade e domínio técnico. E repare-se que é uma peça com mais de cem anos, o que ainda enaltece mais a sua complexidade.
Comemorar este dia é também um convite a olhar com atenção para os bordados manuais que possuímos, sejam eles herdados ou adquiridos em feiras de antiguidades, muitas vezes injustamente desvalorizados, a reconhecer o trabalho, a criatividade, o tempo e o gosto que lhes estão intrínsecos. Seja igualmente criativo: se possui peças bordadas, dê-lhes uso com dignidade. Colocada no local certo, cada peça é um ponto de bom gosto e de arte.
Museu Municipal de Porto de Mós
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