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Peça do Mês de Novembro
Molde interno de amonite
Idade: Jurássico Superior (Oxfordiano-Kimmeridgiano, c. 157 milhões de anos)
Proveniência: Alqueidão da Serra, Porto de Mós
Doador: Francisco Jorge Furriel
Número de Inventário: 5380
O fóssil de amonite apresentado foi encontrado na freguesia de Alqueidão da Serra e constitui um testemunho inequívoco da presença do mar no território de Porto de Mós há cerca de 157 milhões de anos, durante o Jurássico Superior. Este valioso vestígio paleontológico permite compreender que a região se encontrava, então, submersa por um mar pouco profundo, favorável ao desenvolvimento de uma rica biodiversidade marinha.
O concelho de Porto de Mós assume, por essa razão, um papel de particular relevância no panorama paleontológico nacional. As suas formações calcárias conservam abundantes registos fossilizados de organismos que habitaram os mares jurássicos, entre os quais se destacam amonites, crinoides, braquiópodes, bivalves (incluindo rudistas) e corais fósseis. Estes achados constituem importantes fontes de conhecimento científico sobre a evolução da vida e dos ambientes marinhos que outrora ocuparam esta região.
Neste contexto, e evocando o Dia Nacional do Mar, assinalado a 16 de novembro, importa recordar que a valorização do património paleontológico representa também uma forma de preservar a memória dos mares antigos que fizeram parte da história geológica do nosso território. Embora o mar já não ocupe estas paisagens, os seus vestígios permanecem gravados na pedra, permitindo-nos compreender e interpretar um passado remoto que moldou a identidade natural de Porto de Mós.
As amonites, pertencentes a um grupo extinto de moluscos cefalópodes, figuram entre os fósseis mais importantes para a investigação geológica. A sua ampla distribuição e rápida evolução ao longo do tempo permitem aos cientistas datar e correlacionar com precisão as rochas sedimentares, tornando-as verdadeiros marcadores cronológicos da história da Terra.
Num tempo em que as famílias se reúnem e partilham experiências sobre os lugares onde vivem, é comum ouvir-se a expressão: «Onde vivo tenho quase tudo, só falta o mar». Porto de Mós oferece uma perspetiva diferente e singular sobre esta realidade. Os seus habitantes podem orgulhar-se de viver num território que guarda a memória de um mar desaparecido há milhões de anos. Se hoje o mar já não banha estas terras, a sua presença continua viva através dos fósseis que enriquecem o património natural do concelho e reforçam a sua importância na rota paleontológica nacional.
Em Porto de Mós, pode afirmar-se, com legítimo orgulho, que até o mar por aqui passou, deixando uma herança geológica de valor incalculável para as gerações presentes e futuras.
Museu Municipal de Porto de Mós
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